Virgílio Pereira

Virgílio Pereira nasceu a 7 de outubro de 1900 e morreu em 1965. Conceituado etnomusicólogo, era natural da freguesia de Vilela e filho de Francisca Romana Coelho Pereira e do fundador da Banda Musical de Vilela, o professor António Gaspar Pereira. Estudou no Conservatório do Porto e na Academia Mozart e, aos 19 anos, era professor do ensino primário e Diretor da Escola Anexa à Normal, no Porto. 
 
Veio lecionar para Lordelo, em 1924, onde fundou e dirigiu, durante uma década, o "Orfeão Castro Araújo", formado exclusivamente por trabalhadores rurais, mas que, ainda assim, recebeu a medalha de ouro no 1.º concurso orfeónico de Portugal, realizado no Porto em 1932. Este grupo participou em inúmeros concursos, de que é exemplo o "Rainha das Costureiras", realizado no Palácio de Cristal, organizado a 29 de março de 1932, e apresentou-se no ano seguinte, a 18 de junho, na Sociedade Martins Sarmento, aquando de uma festa realizada em honra deste filantropo. Em 1934, criou o "Orfeão Oliveira Martins", com alunos da escola técnica do mesmo nome e, no ano seguinte, formou e dirigiu o Coro Infantil do Porto, constituído por 1600 jovens das escolas oficiais da cidade.
 
Entre 1941 e 1953, dirigiu o grupo coral "Pequenas Cantoras de Portugal", constituído por 15 meninas, mais conhecido por "Pequenas Cantoras do Postigo do Sol", que realizou cerca de 250 concertos em Portugal e no estrangeiro. Entre os anos de 1951 e 1958, foi diretor do Orfeão do Porto, que desenvolveu, neste período, a parte coral da Nona Sinfonia de Beethoven. 
Nos últimos anos de carreira, teve a seu cargo o Conservatório, o Orfeão e o Coro Etnográfico da Covilhã. Paralelamente, dedicou-se à recolha e investigação do Cancioneiro no interior do país, tendo publicado no "Douro Litoral" duas coletâneas - os "Corais Geresianos" e os "Corais Mirandeses". Quando morreu, com 64 anos, preparava a publicação de materiais que recolhera na Beira Baixa, na Guarda, em Felgueiras e em Baião, a pedido da Fundação Gulbenkian. Colaborara pouco antes na constituição do volume "Cancioneiro de Santo Tirso".
 
Foi colaborador de "O Tripeiro", do "Jornal de Notícias" e de revistas periódicas. Foi membro correspondente da Federação Musical Francesa, sócio da Sociedade Portuguesa de Escritores, da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto e da Sociedade de Autores e Compositores Teatrais Portugueses. 
A 1 de junho de 1957, como reconhecimento pelo extraordinário trabalho desenvolvido em prol da música tradicional, foi agraciado com o Grau de Cavaleiro da Ordem de Instrução Pública.
 
Fonte: textos de Alda Neto e compilação Paredes, Joia do Sousa
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