Adriano Moreira de Castro

Adriano Moreira de Castro emigrou para o Brasil para fugir a um futuro agrícola. Os seus progenitores eram caseiros numa propriedade, na freguesia de Louredo. Nasceu a 9 de dezembro de 1858, no lugar de Sobradelo, em Louredo, e partiu para o Brasil com 14 anos, em 1872, para a cidade de Belém, no Estado do Pará. Começou por dedicar-se a pequenas atividades no ramo da panificação, para poucos anos depois fundar uma empresa na área do comércio, uma das mais importantes daquele Estado, a Araújo Castro & C.ª.

Voltou à terra-natal por volta de 1901, onde adquiriu alguns terrenos, num dos quais construiu a vivenda Castrália. Foi graças a ele que se iniciou a construção de uma escola de instrução primária em Louredo, que posteriormente ofereceu à freguesia, aquando da sua curta passagem pela Comissão Municipal Administrativa do Concelho de Paredes, em 1912. Esta escola era destinada a ambos os sexos e contemplava a residência dos professores. Nos anos seguintes, Adriano Moreira de Castro preocupou-se em adquirir o material escolar necessário, desde as carteiras aos mapas, e também assumiu o pagamento integral do azeite necessário à iluminação de toda a aldeia.

 

Fiel aos seus ideais republicanos, este benemérito fez inscrever na fachada da escola a frase "Depois do pão, a educação é a primeira necessidade do povo." O brasileiro defendia o alargamento da instrução a todas as classes sociais, ajudando para tal os mais necessitados através da concessão de bolsas de estudo, donativos anuais ou prémios de mérito escolar, entregues na Festa de Natal.
 
Em 1936, recebeu o título de Cavaleiro da Ordem da Instrução Pública conferido pelo General Carmona.
 
Adriano Moreira Castro empenhou-se na construção da estrada municipal que ligava Louredo a Sobrosa, atualmente com o seu nome; colaborou e financiou o jornal “Behetria de Louredo”, publicado entre 1921 e 1922 e distribuído gratuitamente pelo concelho; ajudou à construção do Hospital com a doação de grandes somas em dinheiro e, por isso, também o seu retrato pertence à galeria dos Irmãos Beneméritos da Irmandade da Misericórdia de Paredes. Também se empenhou em honrar outros brasileiros paredenses através das suas doações, como é o caso de Jerónimo de Barros, jornalista, fundador e diretor do jornal “A Redenção”, a quem homenageou através da construção de uma parede no Hospital.
 
Após a sua morte, deixou expressa em testamento a vontade de deixar 20 contos à Misericórdia.
 
Fonte: textos de Alda Neto
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